Se,
no passado recente, antigos casarões eram demolidos para dar lugar a grandes
e modernos espigões, hoje esses imóveis são vistos como o
futuro da expansão imobiliária nos grandes centros urbanos - tanto
pela iniciativa privada, quanto pelo poder público. E, para viabilizar
esses empreendimentos, importou-se da Europa o conceito de retrofit.
A
palavra inglesa, que pode ser traduzida livremente como "ajuste retrô",
consiste em reformar e modernizar um imóvel antigo por dentro, ao mesmo
tempo em que são mantidas características originais da fachada.
De acordo com Antônio Eulálio Pedrosa, engenheiro do Conselho Regional
de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), o retrofit tende a se popularizar
por ser uma técnica que permite viabilizar um empreendimento com custos
e prazos reduzidos.
- É mais barato do que erguer um prédio
novo. Isso porque você elimina os custos de fundação e de
toda estrutura. Em relação ao prazo, também é mais
vantajoso. Enquanto um prédio novo pode demorar até dois anos para
ficar pronto, com o retrofit você resolve a obra em alguns meses - disse.
Não é apenas pelos custos e prazos menores que a popularização
do retrofit deve se concretizar nos próximos anos. De acordo com Márcio
Teixeira da Silva, engenheiro da construtora Rossi, a escassez de terrenos em
áreas mais bem estruturadas de cidades como o Rio, por exemplo, também
desperta o interesse das empresas de construção civil para a reforma
de imóveis antigos. Atualmente, Silva coordena as obras do condomínio
Park Laranjeiras, que utiliza o retrofit para transformar o interior de um palacete
do século 19 em apartamentos de classe média no bairro da Zona Sul:
- A expansão imobiliária favorece o retrofit. E esse é
um movimento que vai crescer com a escassez de terrenos livres na cidade.
O poder público também abraçou a técnica. A Secretaria
municipal de Habitação do Rio já trabalha, há mais
de uma década, em projetos de revitalização de casarões,
que são destinados à moradia popular. Dentro do programa "Porto
Maravilha", que pretende revitalizar a zona portuária, o órgão
prevê a entrega de 499 unidades habitacionais em prédios reformados
com a técnica de retrofit