Faltam
poucos anos para a avenida Abelardo Bueno se tomar uma das regiões mais
conhecidas do Rio de Janeiro, como as avenidas Atlântica,Vieira Souto e
Nossa Senhora de Copacabana. É que o local vai abrigar grande parte dos
ginásios e arenas que serão construídos para os Jogos Olímpicos,
em 2016.
Alexandre Fonseca, vice-presidente da Assoiação
de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi RJ), diz que o
metro quadrado da avenida já havia se valorizado 50% com a construção
da Linha Amarela, no ano 2000, quando o metro quadrado passou a custar R$ 3,5
mil. "Com a construção da linha de metrô de superfície
e do corredor de ônibus, é provável que os valores dos terrenos
aumentem outros 50%, mais a inflação", calcula.
Na avenida das Américas, o caso é semelhante: hoje, o preço
do metro quadrado chega a R$5 mil. "Toda a cidade vai sentir os efeitos da
Olimpíada e vai se valorizar.O projeto urbanístico deverá
ser um legado para a cidade, assim como foi para Barcelona." Fonseca diz
ainda que a Barra da Tijuca, que abriga 70% dos lançamentos imobiliários
do Rio, e a zona portuária são os locais que mais devem se beneficiar
com os Jogos Olímpicos.
"Queremos ser como Barcelona e
não como Atlanta, onde tudo foi preparado apenas para os Jogos e hoje não
tem mais nada. O movimento de valorização da Barra e Jacarepaguá
já ia acontecer, afinal esses setores sempre chamaram a atenção
dos investidores. A Olimpíada é apenas a cereja do bolo", afirma
Alexandre Fonseca, vice-presidente da Ademi.
Ricardo Varella, diretor
geral do escritório do Rio de Janeiro da Colliers, também aponta
a região do porto como uma das grandes apostas para valorização
Imobiliária. "Há dois anos,se comercializava um imóvel
por R$ 2,5 milhões, hoje, os donos venderam por R$ 12,5 milhões",
conta."O local pode para abrigar os hotéis que faltam no Rio de Janeiro."
"Vai ter uma briga grande por espaço. Quem tem terreno
hoje está esperando para vender por um preço maior", afirma.
Outra região que pode servir de endereço para os 24
mil quartos de hotel necessários para cumprir as exigências do Comitê
Olímpico Internacional é das Avenidas das Américas e Avenida
Ayrton Senna."Um hotel de 30 andares vale muito mais do que um de três",
diz Cléber Gurgel,gerente de comercialização do Rio de Janeiro
da Cushman & Wakefield. "O grande problema do Rio é que sua geografia
é muito limitada. De um Lado tem a Mata Atlântica, de outro, o mar.
E é a bobagem achar que a favelização, que começou
nas décadas de 1950 e 1960, vai acabar rapidamente."
Local
privilegiado
A Olimpíada só começa em 2016, mas
desde já a Barra da Tijuca se prepara para subir no lugar mais alto do
pódio no ranking dos Investimentos imobiliários.O bairro, que vai
ser endereço de grande parte das arenas, atrai empreendimentos de todos
os gêneros. É o caso do Shopping e dos edifícios corporativos
que serão construídos pela Cyrela Commercial Properties (CCP) em
parceria com a Carvalho Hosken. "O grupo já apostava na Barra, o interesse
só foi potencializado pela Copa e pela Olimpíada. Adiantamos os
lançamentos", afirma Bruno Laskowsky, presidente da CCP.
Ele diz que isso só vai ser possível porque o "Rio está
migrando para a Barra". No total,vão ser investidos R$ 700 milhões.
O shopping, que vai ter 43 mil metros quadrados de área bruta locável
( ABL), deve ficar pronto no fim de 2011 ou no início de 2012.
Cidade quer ser a nova Barcelona
Diferentemente do que ocorreu em
Atlânta (EUA), o Rio de Janeiro quer receber investimentos perenes, como
na cidade espanhola
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro
vai ser chacoalhado com inúmeros investimentos nos próximos anos.
Além da Copa e da Olimpíada, que, sem dúvida, vão
atrair recursos para a cidade, o pré sal e os aportes estrangeiros vão
impulsionar novos projetos na capital fluminense. A questão é: até
quando? Para T homás Assumpção, presidente da Urban Systems,
os investimentos nao podem ser pontuais, visando apenas os Jogos O1ímpicos.
"Precisamos fazer uma releitura da cidade. Espero que,quando
forem investir no Rio,façam de forma madura, e não transformem tudo
em uma questão oportunista", afirma.
"Queremos ser
como Barcelona e não como Atlanta, onde tudo foi preparado apenas para
os Jogos e hoje não tem mais nada", completa Alexandre Fonseca, vice
- presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado
Imobiliário (Ademi - RJ).
Essa ebulição, a qual
Assumpção se refere, não vai ser só em um segmento.
Projetos do "Minha Casa, Minha Vida", escritórios, empreendimentos
de alto padrão vão sair do papel.Isso poderia alavancar ainda mais
a especulação Imobiliária. Mas o presidente da Urban Systems
lembra que o comprador esta mais atento e não vai comprar imóveis
supervalorizados."A tentativa de supervalorizar acontece, mas o consumidor
está consciente. E aqueles que exagerarem nos preços não
vão vender. Por isso, vamos chegar a um equilíbrio", acredita.
Hotéis
Boa parte dos hotéis devem ser reformados
para receber bem os hóspedes que vão assistir aos jogos da Copa
e a Olimpíada."A necessidade por mais quartos é grande, principalmente
de médio valor. Afinal, nem todo mundo pode se hospedar em Copacabana",
afirma Assumpcão."Há gaps que precisam ser preenchidos. E a
melhoria da qualidade é prioridade neste momento", conclui.
A Prefeitura do Rio de Janeiro já anunciou que pretende flexibilizar a
legislação urbana para permitir que sejam construídos hotéis
com mais de três andares. Além disso, estuda conceder incentivos
fiscais, como do lmposto de Transmissão de Bens Intervivo (ITBI). Hoje,
O valor do ITBI corresponde a 2%.
Além disso, no caso de um
novo empreendimento, as redes hoteleiras podem entrar com a experiência
na administração e os investimentos ficam a cargo de investidores
particulares. Com isso, eles passam a receber uma cota mensal.
Segurança
Ate o fim da semana, vai ser anunciado o montante de investimentos
que o Rio de Janeiro deve receber para garantir a segurança pública
na cidade.